Diretores do SENAI no Nordeste discutem projetos para energia eólica offshore

26/03/2025   17h52

 

Assunto foi pauta do segundo e último dia do “Encontro dos diretores do SENAI do Nordeste”, no Hub de Inovação e Tecnologia (HIT) do SENAI-RN, em Natal

 

Diretores do SENAI no Nordeste discutiram, nesta quarta-feira (26), em Natal (RN), possibilidades de projetos para fomentar a capacitação profissional e a cadeia produtiva da energia eólica offshore (no mar). A Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) estima que as primeiras usinas nessa nova fronteira, no Brasil, entrem em operação em 2031.

 

O Nordeste já é o maior gerador de energia eólica onshore (em terra) no país e lidera o interesse dos investidores para instalação das usinas no mar – concentrando quase 50% da potência cadastrada e dos aerogeradores previstos em complexos à espera de licenciamento ambiental no Ibama.

 

O assunto foi pauta do segundo e último dia do “Encontro dos diretores do SENAI do Nordeste”, no Hub de Inovação e Tecnologia (HIT) do SENAI-RN, em Natal. O ponto de partida da discussão foram as perspectivas com a primeira planta-piloto do país para estudos de energia eólica offshore, projetada para o Rio Grande do Norte.

 

Planta-piloto

A planta-piloto é um sítio de testes, em condições reais de operação, para futuros aerogeradores que serão implantados no mar do Brasil. O projeto foi desenvolvido pelo SENAI-RN, por meio do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER). O objetivo é a implantação de dois aerogeradores a 20km da costa – nas proximidades do Porto-Ilha de Areia Branca, onde o SENAI-RN realiza medições do recurso eólico há mais de dois anos, o maior tempo registrado no país. A expectativa é que a operação comece em 2027.

 

“Esse é o projeto de energia eólica offshore mais avançado do Brasil e esse projeto tem, especialmente, a intenção de desenvolver conteúdo nacional e a cadeia de fornecedores do país”, disse o diretor regional do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello. “E aí a cadeia de fornecedores a gente entende que tem tudo a ver com a indústria do Maranhão até a Bahia. A gente consegue suportar esse setor tendo impacto positivo na geração de negócios em toda a região”, acrescenta.

 

O projeto da planta-piloto e os estudos envolvidos foram detalhados por Mello entre as iniciativas de impacto nacional originadas no estado. No momento, disse o diretor, o SENAI-RN está finalizando a discussão do edital múlti-clientes que vai lançar para desenvolver as ações do projeto de pesquisa, que serão divididas em duas partes.

 

“A primeira, contemplando os projetos de engenharia, sejam os projetos básicos, sejam os executivos, na sequência. Uma vez finalizada essa parte, iniciaremos a etapa 2, de construção e desenvolvimento das ações propriamente ditas no parque. Já durante a execução dessa etapa, nós iremos iniciar uma discussão com o Brasil de como esta tecnologia irá impactar o desenvolvimento de ações, não apenas no Rio Grande do Norte. A gente entende que haverá um impacto regional, especialmente no Nordeste”, acrescenta.

 

O impacto é esperado, nas palavras dele, mas não diretamente, ou exclusivamente nos estados que terão parques de geração de energia. Infraestruturas portuárias e industriais já existentes em áreas vizinhas estão entre as que poderiam sentir os efeitos de uma nova onda de investimentos, segundo o executivo.

 

“A utilização de um porto, como, por exemplo, de Suape, em Pernambuco, a utilização de estrutura de construção de aerogeradores e de pás, que hoje já existe na Bahia, a utilização de estruturas ou competências que já existem em outros estados, que não necessariamente participarão da geração propriamente dita”, observa Mello.

 

Discussão contou com a participação de diretores regionais, diretores de educação, superintendentes, gerentes executivos e coordenadores de educação profissional, inovação e tecnologia de sete estados nordestinos e do Espírito Santo

 

No primeiro dia do Encontro dos diretores, outro projeto apresentado, de âmbito local, foi o Pró-Sertão, liderado pela Federação das Indústrias do RN (FIERN), por meio do SENAI. O encerramento da programação contemplou visita aos principais laboratórios do SENAI-RN e a apresentação de experimentos e serviços pioneiros para o Brasil, conduzidos pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis.

 

Este foi o primeiro Encontro realizado em 2025. Diretores regionais, diretores de educação, superintendentes, gerentes executivos e coordenadores de educação profissional, inovação e tecnologia de sete estados nordestinos (Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Alagoas e Maranhão) e do Espírito Santo participaram. Edições anteriores passaram pelos estados do Piauí, de Pernambuco e da Bahia.

 

SAIBA MAIS – Sobre a planta-piloto do SENAI-RN

O projeto do SENAI-RN prevê a instalação de dois aerogeradores, com potência somada de 24,5 Megawatts (MW). As máquinas serão implantadas a 4,5 km de distância do Porto-Ilha de Areia Branca, a uma profundidade de 7 a 8 metros no mar. A região é considerada rasa e, segundo estudos desenvolvidos pelo ISI-ER, está distante de recifes de coral e das tradicionais zonas de pesca.

 

O sistema de implantação previsto se baseia em um modelo criado na Espanha, pela Esteyco, que possibilita a montagem total das torres em terra e que elas sejam então levadas até o destino, no mar, com o apoio de rebocadores – ou seja, sem a necessidade de grandes estruturas de navios, atualmente escassas e caras no mundo. As máquinas são então posicionadas no fundo, sem perfuração.

 

Estudos ambientais para avaliação do Ibama, sobre o projeto, foram entregues em julho de 2024, com levantamentos de dados do meio físico da região – o que inclui relevo, clima e oceano – do meio biótico (fauna e flora marinhos) e de aspectos socioeconômicos envolvendo população, paisagem, infraestrutura pública e atividades como a salineira, a pesca industrial, a artesanal e a mariscagem, de Areia Branca e dos municípios de Grossos e Tibau, que estão no entorno.

 

Grupo também visitou laboratórios do SENAI-RN e conheceu experimentos e serviços pioneiros para o Brasil, conduzidos pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis

 

A expectativa, com a planta, é analisar o desempenho dos equipamentos de geração de energia eólica offshore em condições do mar equatorial brasileiro. Segurança e função, desempenho de potência, cargas mecânicas, ruídos, suporte e afundamento de tensão, além de qualidade da energia poderão ser avaliados na área, mas não só isso.

 

A tendência, segundo a equipe de pesquisadores/as envolvida, é gerar um ambiente de respostas para a chegada da eólica offshore no Brasil, contribuindo para a elaboração de projetos, definição de tecnologias e métodos de construção, assim como em questões relacionadas à área ambiental.

 

Desde a elaboração do projeto o ISI-ER dialoga com as comunidades pesqueiras da região. Planos de educação ambiental e de comunicação social local, além de fomento ao desenvolvimento de profissões e empreendedorismo estão no foco.

 

 

Texto e fotos: Renata Moura

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