O público-alvo da iniciativa são instrutores de educação e tecnologias do SENAI no RN, no Paraná e em Goiás. O objetivo é que eles sejam multiplicadores das informações em salas de aulas e nos laboratórios dos estados em que atuam | Foto: Renata Moura
Um treinamento iniciado nesta segunda-feira (31), no Rio Grande do Norte, deverá disseminar o uso seguro e eficiente de “fluidos refrigerantes inflamáveis” em sistemas de ar condicionado do tipo split.
A capacitação acontece no âmbito do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do Brasil e implementado pela Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.
O público-alvo da iniciativa são instrutores de educação e tecnologias do SENAI no RN, no Paraná e em Goiás.
“A ideia é que os instrutores treinados sejam multiplicadores, que levem o conhecimento para profissionais nos estados em que atuam”, diz Stefanie von Heinemann, consultora e gerente de projetos da GIZ.
O objetivo, segundo von Heinemann, é viabilizar a capacitação de técnicos e técnicas em campo para que possam atuar de forma eficiente e segura.
Um curso com esse objetivo será oferecido a profissionais do setor, a partir deste mês. A formação será disponibilizada de forma gratuita em escolas técnicas de cinco estados, incluindo Goiás, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná e Rondônia.
No RN, as aulas serão realizadas no Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), do SENAI-RN.
O treinamento para os instrutores que irão repassar os conteúdos também é realizado no Centro e segue até a próxima sexta-feira (4).
Os módulos contemplam teoria e prática. No campo teórico, estão programadas desde uma introdução aos fluidos refrigerantes inflamáveis, até informações sobre riscos e precauções no manuseio, regulamentos, normas de segurança, procedimentos, ferramentas e equipamentos para uso.
“No terceiro dia começam os exercícios práticos”, comentou o instrutor alemão Dennis Frieske, durante a abertura da formação. Além da segurança no trabalho, o recolhimento dos fluidos e testes de vazamento estão entre os pontos que serão abordados.
A capacitação acontece no âmbito do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil e implementado pela Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ: Na imagem, participantes posam com representantes do programa e do SENAI CTGAS-ER | Foto: Divulgação
Curso
A coordenadora de educação do SENAI-RN em Natal, Marcela Duarte, explica que o treinamento para os instrutores dará origem ao novo curso sobre fluidos inflamáveis, no CTGAS-ER, a partir da segunda quinzena de Abril.
“Será o curso de ‘Uso Seguro de Fluidos Refrigerantes Inflamáveis em Sistemas de Ar Condicionado do tipo Split inverter’. O pré-requisito é ter idade mínima de 18 anos e ser da área de refrigeração”.
A expectativa é, até agosto, formar 160 profissionais na capital. O público-alvo são engenheiros/as ou técnicos/as em mecânica ou refrigeração e climatização, com experiência de no mínimo três anos em serviços no setor de refrigeração e ar condicionado.
A formação é financiada pelo PBH (programa do governo brasileiro) e oferecida de forma gratuita às pessoas que atenderem aos requisitos. As matrículas estarão disponíveis, em data a ser divulgada, no site www.futuro.digital/rn.
De acordo com a coordenadora, o objetivo é fornecer subsídios para que técnicos e técnicas de refrigeração possam instalar e fazer a manutenção de aparelhos de ar condicionado com fluidos refrigerantes inflamáveis, seguindo normas ambientais, de saúde e segurança do trabalho.
Daniel Lima de Oliveira, instrutor do CTGAS-ER na área de refrigeração, afirma que “o curso traz uma abordagem ainda mais completa para uso das boas práticas em refrigeração e climatização”.
Fluidos
Os fluidos refrigerantes são substâncias que circulam dentro dos sistemas de refrigeração e ar condicionado para absorver e liberar calor, permitindo o resfriamento de ambientes, alimentos e equipamentos.
Os mais comuns incluem fluidos refrigerantes como o R-134a e o R-410A, mas há também opções naturais, a exemplo do dióxido de carbono (CO₂), do propano e da amônia, que integram a lista de “fluidos refrigerantes inflamáveis”.
Stefanie von Heinemann explica que os “fluidos refrigerantes inflamáveis” são alternativas para poder eliminar o uso dos Hidroclorofluorcarbonos (HCFCs), que estão no rol de gases “destruidores da camada de ozônio” e são considerados poderosos gases causadores do efeito estufa.
Stefanie von Heinemann, da GIZ, explica que os “fluidos refrigerantes inflamáveis” são alternativas para poder eliminar o uso dos HCFCs, que estão no rol de gases “destruidores da camada de ozônio” e são considerados poderosos gases causadores do efeito estufa | Foto: Renata Moura
“Esse novo curso é um marco importante para o Brasil porque é o primeiro do Programa voltado ao uso seguro de fluidos alternativos, que não destroem a camada de ozônio e que tem um GWP (potencial de aquecimento global) muito baixo”, ressalta a consultora alemã.
Os equipamentos disponibilizados para o curso usam o propano, um dos fluidos refrigerantes naturais. “Ele tem potencial zero de destruição do ozônio e um GWP desprezível”, diz Von Heinemann.
A tecnologia utilizada foi importada da China e é apontada como novidade no Brasil. “Como é novidade, nós contratamos a empresa líder em certificação, que é a SGS, e fizemos testes de desempenho, segurança e de vibração para realmente garantir a segurança desse curso nas escolas”, acrescenta a consultora.
“O que é mais importante para os alunos, e para o setor como um todo, é que os fluidos inflamáveis, e principalmente o propano, podem ser utilizados de forma segura e eficiente, desde que os técnicos e técnicas sejam capacitados”, frisa ela.
“Hoje em dia, o que inibe a utilização dessas substâncias no mercado é o medo da substância inflamável. A mão de obra também não é capacitada, não é preparada para receber essa tecnologia nova. Então, a gente quer mostrar que isso é possível com o devido treinamento e capacitação. É preciso aplicar boas práticas em refrigeração, ter profissionais capacitados e, com esse curso, a gente vai contribuir para criar essa mão de obra qualificada no país”, complementa.
Para saber mais sobre o PBH e esse curso acesse: https://boaspraticasrefrigeracao.com.br/
Texto: Renata Moura
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